Quando o consumidor se levanta e toma aquela velha xícara de café, a maioria nem se dá conta de quanto é árduo o processo da produção. Plantação, adubação, colheita e processamento são apenas algumas das muitas etapas até que o produto chegue às mesas dos consumidores.
Além do trabalho ainda existe um agravante que não depende da mão humana. As várias intempéries climáticas registradas – como geadas, granizo, falta de chuvas e altas temperaturas – podem comprometer o rendimento da safra trazendo prejuízos aos produtores.
Para se ter uma ideia do problema, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) prevê uma redução de 10-20% na produtividade total das colheitas até 2050.

Em Carmo do Paranaíba, um dos municípios que mais produz café na região do Alto Paranaíba, o problema das poucas chuvas e clima seco vem sendo um dos grandes inimigos da produção.
O Gerente Operacional, Ronaldo Luiz, da Fazenda São Lourenço também vem enfrentando o problema. Na fazenda de 342 hectares e com previsão de colheita de 10 mil sacas para esse ano, o trabalho já está 40% realizado.
Segundo ele a falta de chuva causa uma deficiência na planta. Esta deficiência paralisa o crescimento prejudicando a produtividade do próximo ano. “A falta de água também causa stress na planta e ela não tem a capacidade de absorver nutrientes pelas raízes nem pelas folhas”, disse.
A falta dos nutrientes acaba causando indução de deficiência foliar (a planta começa a perder folhas). De acordo com o produtor essa deficiência compromete a produção do próximo ano sendo as folhas responsáveis pela fotossíntese da planta. “As folhas são responsáveis por mandar energia para os frutos. Também a falta de folhas causa queimaduras nos botões florais devido à exposição da radiação solar”, completou.
Ronaldo informou que a colheita deste ano em várias regiões vai interferir na renda do café porque faltou água na granação do café. “Se a granação não acontece perfeitamente, o fruto não terá um bom desempenho”, salientou.
Outro problema com a falta de chuva, altas temperaturas e baixa umidade do ar são os ataques das pragas. É o caso dos ácaros, bicho mineiro e broca. “Pragas são comuns e possíveis de controle, no entanto, com a falta de chuva esse trabalho fica ainda mais difícil”, finalizou.







