O artista Bemti, que viveu grande parte da infância em Carmo do Paranaíba, acaba de lançar seu novo álbum de estúdio, “Adeus Atlântico”. Com 10 faixas e levada indie pop, o trabalho amplia a sonoridade do músico mineiro conhecido por recontextualizar a Viola Caipira de 10 cordas na música brasileira contemporânea. Escrito e produzido entre Brasil, Portugal e Inglaterra, incluindo colaborações com artistas desses e de outros países, “Adeus Atlântico” aborda a jornada de (re)conhecer o mundo e desvendar sua identidade envolto em euforia e êxtase.
Essa travessia geográfica e afetiva se traduz em canções que combinam traços da música de raíz mineira, elementos do indie pop e experimentação com estilos musicais como Amapiano (África do Sul) e Ziglibithy (Costa do Marfim). O resultado é uma obra que dialoga com a musicalidade das diferentes margens do Atlântico, sem abandonar a complexidade instrumental e o cuidado artesanal característicos de Bemti, que assume a direção musical e assina todas as composições do seu terceiro álbum.
Se o disco “era dois” (2018) trazia a ingenuidade da estreia e “Logo Ali” (2021) – premiado pela Natura Musical e indicado ao prêmio APCA – abraçava um barroquismo emocional em meio ao cenário político e pandêmico, “Adeus Atlântico” representa, segundo o artista, “um amadurecimento que escolhe a leveza, não a melancolia”.
Na produção musical, o artista reuniu nomes como Luis Calil (Cambriana), que produziu seus dois álbuns anteriores, Jojô Inácio (Catto, Tagua Tagua e Johnny Hooker), Francisca Barreto (Damien Rice e Nina Maia) e Victor Kroner (Martin), além do argentino Martín Scian na masterização (Rubel e Ana Frango Elétrico).
Neste trabalho, Bemti se aproxima mais do que tem ouvido nos últimos anos e isso reflete num som mais pop e direto, sem deixar de lado a profundidade de seus outros álbuns. “Adeus Atlântico” também representa a preocupação em criar uma obra na direção contrária das produções feitas com inteligência artificial. “Para além do quebra-cabeça conceitual, com essa colcha de retalhos que une pessoas e lugares pelos quais eu passei desde 2022, esse disco também teve uma elaboração sonora bem complexa para que fosse e soasse o mais humano possível”, diz Bemti.
Esse esforço se reflete nos sopros registrados por Mauro Oliveira e Felipe Aires, na bateria de Gabriel Eubank e na flauta de Vitor Constantino, que trazem amplitude à sonoridade do álbum, marcado também pela estreia de Bemti no uso de samples – caso da faixa “Melhor de Três”, que traz elementos da música “Ziglibithiens”, de Ernesto DjéDjé.
Mergulhando em uma travessia que conecta Minas ao mundo, o projeto reúne participações que reforçam seu caráter transcontinental: os mineiros FBC e Luar em “Euforia”; Marissol Mwaba (Brasil/Congo) em “Lua em Libra”; Alex D’Alva (Portugal/Angola) em “Miragem”; Fyfe Dangerfield (Reino Unido, vocalista da banda Guillemots) e a carioca THU em “Só Pra Ter Você”; e Haroldo Bontempo, conterrâneo de Bemti, em “Quase Sertão”.
“Essas colaborações são parte estruturante da narrativa do álbum”, diz Bemti. “Morei alguns meses em Portugal, fiquei um mês na Inglaterra, e algumas temporadas no Rio e na Bahia. Eu tinha o desejo de costurar todas essas paisagens e pessoas vistas pelos olhos de um mineiro que saiu do interior e da casa dos pais com 14 anos, mas que ainda toca a Viola Caipira. Uma sensação de sempre estar me deslocando para outro lugar, mas sempre me ver diante do mesmo oceano”.
“Adeus Atlântico” chegou aos streamings de música no dia 22 de janeiro, com distribuição da Ditto Music, edição da Boa Música Brasil, e comunicação da Koch Management.
O show de lançamento do disco vai acontecer no dia 20 de fevereiro no Sesc 14 Bis, com participações de Jaloo e Francisca Barreto. Venda online a partir de 03/02, às 17h, em centralrelacionamento.sescsp.org.br. Venda presencial a partir de 04/02, às 17h.
Confira a tracklist:
01. Nenhum Tempo a Perder
02. Lua em Libra (part. Marissol Mwaba)
03. Euforia (part. FBC e Luar)
04. Miragem (part. Alex D’Alva)
05. Melhor de Três
06. Só Pra Ter Você (part. Fyfe Dangerfield e THU)
07. Metal
08. Quase Sertão (part. Haroldo Bontempo)
09. Adeus Atlântico
10. Intermezzo
A faixa oito do disco conta com a participação do carmense Haroldo Bontempo, gravado em Carmo do Paranaíba e lançado em primeira mão pelo Tribuna Informa. Relembre a matéria:
BEMTI
Instagram: https://www.instagram.com/bemti
Youtube: https://www.youtube.com/bemti
Spotify: https://bit.ly/bemtispotify

Nascido em uma fazenda na Serra da Saudade, o artista viveu a infância em Carmo do Paranaíba, no interior de Minas Gerais. Ele usa a Viola Caipira de 10 Cordas como base da sua sonoridade emocional e cinematográfica que transita por gêneros como MPB, indie pop e música de raíz.
Através de sua música, Bemti cria ponte inusitadas entre a tradição e a modernidade, onde rural e urbano coexistem. Formado em Audiovisual pela USP e com um extenso trabalho como roteirista, lançou em 2018 seu disco de estreia, “era dois”, com participações de Tuyo, Johnny Hooker e Natália Nó, eleito entre os melhores do ano pela Rolling Stone Brasil.
“Logo Ali” (2021), seu segundo disco, venceu o edital Natura Musical e foi escolhido pela APCA entre os melhores do ano, além de aparecer entre os 40 álbuns mais citados pela crítica brasileira na Lista das Listas. Neste trabalho, Bemti reuniu as cantoras Fernanda Takai, Jaloo e Josyara, o duo ÀVUÀ e o músico português Hélio Morais.
Sua abordagem inédita e contemporânea da Viola Caipira ultrapassa 5 milhões de streams, com inclusões em trilhas sonoras de projetos como Valentina (Netflix), Amor da Minha Vida (Disney) e Fluxo (Paramount), além de ter escrito canções originais para a série Hit Parade (Globoplay). Em 2022, Bemti participou ao lado de Gabeu como compositor e intérprete no disco “Agropoc”, indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum Sertanejo.
Na estrada desde 2018, o artista mineiro já se apresentou em festivais como Bananada e Timbre, unidades do Sesc em São Paulo, Bahia e Minas Gerais, espaços como Autêntica, Itaú Cultural, Sesi Av. Paulista, Infinu, Rockambole e Tendal da Lapa, e tocou em países da América Latina e Europa, com shows esgotados em Buenos Aires e Lisboa.







