A técnica de enfermagem Lenilda Oliveira dos Santos, 49 anos, se tornou mais uma das vítimas da perigosa travessia de quem se arrisca a entrar nos Estados Unidos através da fronteira com o México. O corpo dela foi encontrado em um deserto no Novo México. De acordo com as informações divulgadas pelos familiares nas redes sociais, ela estava em um grupo de amigos, mas foi deixada para trás.
Os agentes do Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBO), relatou que ela foi encontrada depois de um longo rastro deixado na área do deserto, o que indica que ela se arrastou antes de morrer. “Provavelmente morreu de fome e sede”, afirmou a agência de imigração.
Moizaniel Pereira de Oliveira, 46 anos, é irmão de Lenilda. Em uma entrevista para o site O Globo, ele disse que antes de morrer, a irmã enviou uma mensagem via celular. “Nós conseguimos contato com a polícia da cidade de Deming e enviamos a localização de onde ela estava, mas quando os policiais chegaram, não havia mais ninguém”, disse. “O corpo dela foi encontrado na direção de uma rocha. Ela morreu rastejando, tinha um rastro atrás dela”, continuou.
Ainda bastante abalado, ele acredita que a irmã buscava um lugar para encostar e ter sombra.
Os familiares informaram que Lenilda atravessou a fronteira com alguns conhecidos de Vale do Paraíso, no estado de Rondônia, onde ela morava. O grupo também estaria com um “coiote” e durante a caminhada, a rondoniense começou a ficar desidratada e não conseguiu continuar. “Ela foi abandonada por eles”, afirmou o irmão.
Durante o tempo que ficou sozinha, Lenilda enviou áudios para a família e tentou mostrar otimismo. Ela disse que seus colegas voltariam para buscá-la, pois tinham prometido. Mas o irmão diz que a voz mostrava que ela estava debilitada. “Eu estou escondida. Manda ela trazer uma água para mim, porque não estou aguentando de sede”, diz em uma das mensagens.
Moizaniel afirma que foi um ato de covardia, pois todos são do Vale do Paraíso e conhecido por todos. “Agora não temos informações sobre eles, mas acho que conseguiram entrar nos Estados Unidos. Apesar dessa crueldade, eles devem estar aqui”, afirmou o irmão, que também mora no país.
A família ainda não informou o que fará para o translado do corpo ao Brasil.
Via Brazilian Times







