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terça-feira 21 abril 2026

Caso Madalena – Um ano se passou depois do resgate de situação análoga à escravidão, em Patos de Minas

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A data simbólica não poderia deixar de ser lembrada, afinal foram 38 anos como empregada doméstica vivendo em situação análoga á escravidão. Boa parte desse tempo em Patos de Minas. Madalena Gordiano trabalhava para duas gerações da família Rigueira, sem carteira assinada ou recebimento de pelo ou menos um salário mínimo, até que no dia 27 de novembro de 2020 foi resgatada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), em um apartamento da família no centro de Patos de Minas. O caso Madalena ganhou repercussão internacional.

Segundo informações do MPT, a família que mantinha Madalena em situação análoga à escravidão. A denúncia também relatava condições degradantes de trabalho e outras violações dos direitos humanos. Madalena, segundo apuração do MPT, ficava constrangida em pedir aos patrões produtos de higiene básica, pasta de dente e outros. Por conta disso, ela começou a pedir ajuda a vizinhos, por meio de bilhetes. “Inicialmente, ela não queria assumir a autoria dos recados, mas confessou e explicou que a família dizia que ela consumia muito sabonete e detergente”, disse na ocasião.

Além de controlar toda a renda de Madalena durante quase duas décadas, o professor universitário Dalton César Milagres Rigueira fez dois empréstimos consignados no Banco do Brasil, no nome de Madalena, com uma dívida restante de R$ 18,5 mil a ser paga.

Casada em 2001 com Marino Lopes da Costa ‘tio de Valdirene Lopes Rigueira, esposa de Dalton’, Madalena recebia duas pensões no total de R$ 8,4 mil bruto desde 2003, quando o marido, ex-combatente da 2ª Guerra mundial, morreu aos 80 anos.

Embora tivesse conhecimento de seu direito, ela nunca administrou o dinheiro e também não recebia salário pelos serviços prestados à família. Por conta deste empréstimo, Dalton foi denunciado por estelionato. A família fez um acordo em janeiro desse ano em que se comprometeu a pagar todo o valor devido a Madalena pelos 14 anos em que ela trabalhou na casa de Dalton, incluindo horas extras, 1/3 de férias, multa de FGTS, 13º salários, além de danos morais.

Um acordado entre as partes decidiu que o carro modelo Hyundai IX-35, ano 2015, e o apartamento localizado na Praça Dom Eduardo, no centro de Patos de Minas, de propriedade da família de Dalton César Milagres Rigueira, seriam transferidos para Madalena Gordiano. Na ação o apartamento foi considerado no valor de R$600.000,00. Já o veiculo, foi avaliado no valor de R$ 70.000,00. O apartamento ainda continua a venda.

Atualmente, Madalena está morando em Uberaba, na casa de uma assistente social até arrumar a sua própria casa. Ela se diz bastante feliz, já visitou a praia. Madalena disse que não pretende voltar a morar em Patos de Minas e sim passear, devido às lembranças ruins que tem.

Exatos um ano depois do resgate, através de uma publicação em rede social, Madalena comemorou a data. “Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós… 1 ano pós resgate… 1 ano de libertação! Obrigada universo por sorrir pra mim! Estou de braços abertos para o mundo, curiosa e atenta”, escreveu.

Toninho Cury

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